QUEM SOU

História do bairro do Jardim da Saúde/SP


Renata de Freitas Martins

Diretora da Associação dos Moradores do Jardim da Saúde- AMJS (Comissão de Ética)


O bairro do Jardim da Saúde teve seu princípio por meio de 2 glebas de 700.000 metros quadrados cada uma.

 

A primeira gleba pertencia a Oscar Rodrigues e Horácio de Melo, que a adquiriram em 1921,objetivando arruá-la e loteá-la. Esta gleba estava localizada próxima à Avenida Bosque da Saúde, onde em 1925 foi inaugurada a linha n.º 30 de bondes.

 

Em 1938, Paulo de Almeida Barbosa, Diogo de Toledo Lara e Antônio Toledo Lara Filho compraram a segunda gleba que formaria o Jardim da Saúde, nas proximidades da primeira, e, aliás, como uma continuação. Nesta área havia uma nascente denominada "De Lage" e cujo nome histórico é Tabatinga.

 

Toda a área ensejava planos esplêndidos, e dada sua posição, desejou-se cercá-la de todos os requisitos e exigências próprios de um bairro residencial. Tudo deveria ser feito nos moldes mais modernos, para que o Jardim da Saúde viesse a ser um bairro modelo, tendo como exemplo os planejamentos executados pela Cia. City.

 

A planta do Jardim da Saúde começa a ser delineada, tendo como autor Jorge Macedo Vieira, renomado em nossa arquitetura e urbanismo.

 

Jorge Macedo Vieira encontrou grande auxílio em sua empreitada pelo Jardim da Saúde, destacando-se neste mister os senhores: Altair de Andrade Martins, que construiu o primeiro poço artesiano no Jardim da Saúde e também inúmeras casas; Alexandre Jacowski, engenheiro, foi de grande valor e ajuda nos trabalhos de arquitetura e engenharia para a construção do bairro; Rafael Mozetie, incansável em suas obras, tornando-se uma pessoa muito popular na região.

 

Às ruas foram dados números, vendendo-se os primeiros lotes, e sendo construídas as primeiras casas. Os primeiros compradores de terrenos no bairro foram: João Antônio Martinez Lopez, Adriano de Moura, Valdomiro Leão Salgado, Cesarino Queiroz Fiuza, João Hentz de Almeida, Sinésio Camargo Duarte, Rafael Mozetic, Salvador Buffoni, Vicente Poncio, Allen Jackson, Isidoro Tomazini, Ana Sampaio, Manoel de Freitas Martins, Eduardo de Almeida Prado Filho, João Salvador Cilento, João Pinto de Faria, Eugênio Joaquim Gonçalves, Mozart Firmeza, Diogo José Valeja, Antônio Menezes Filho e Afonso Comunale.

 

Os lotes apresentavam uma área de 10 metros de frente por 40 metros de fundo.

 

As primeiras construções foram de barro, por ser um modo mais fácil e barato, porém com o tempo as casas foram remodeladas, e assim, são poucas as casas de aspecto humilde, pois o que se vê por toda parte neste bairro são casas de condição muito atual.

 

Em 04 de maio de 1943 foi sancionado o Decreto-Lei nº 206, que dispôs sobre a oficialização e denominação de vias públicas, quais sejam:

- Praça João Rodrigues;

- Praça Brás Gonçalves;

- Rua Francisco Dias;

- Rua Felipe Cardoso;

- Rua Tiucue;

- Ruas Marcos Fernandes;

- Rua André Mendes;

- Rua Francisco Maldonado;

- Rua Capitão Guilherme Pompeu;

- Rua Martim Peres;

- Rua Gil Fernandes;

- Rua Diogo Freire;

- Rua França Junior;

- Rua Juvenal Galeno;

- Avenida Bosque da Saúde.

 

Ao se incrementarem as vendas de terrenos, com o surgimento de novos moradores, os quais formavam um núcleo cada vez mais populoso, e frente às necessidades que ainda existiam, tais como a falta de luz nas ruas, calçamento, condução etc., resolveram formar uma sociedade, que, unindo todos os moradores, ou a maioria, tivesse as precisas energias para tratar com êxito os problemas do bairro.

 

Nasceu assim, em 1945, a Sociedade Amigos do Jardim da Saúde (SAJS), que teve uma influência decisiva no progresso do bairro, e cuja ata de primeira reunião data de 26.04.45 e com escolha da primeira diretoria em 05.05.45,assim constituída: presidente: capitão Octaviano Castro de Freitas; vice-presidente: Walter Ramos; 1º secretário: Ângelo Sálvia; 2º secretário: Mário Peixoto; 1º tesoureiro: Izidoro Tomazini; 2º tesoureiro: João salvador Cilento; conselheiros: Vicente Poncio, Antônio Luiz Gonçalves, Allen Jackson, Cesarino Queiroz Fiuza, Delfinode Abreu, Luiz Augusto de Gouveia.  

 

Em novembro de 1.945 já era 112 o número de associados da SAJS.

 

Um dos problemas mais debatidos nas reuniões era a falta de luz. A primeira solução encontrada foi um pedido a todos os moradores para que mantivessem acesas as lâmpadas nos terraços de suas casas por todo o período noturno. Mais tarde deliberou-se o uso de plafonier.

 

Outra proposta bastante debatida nas reuniões da SAJS era a aquisição de uma sede, sendo que no dia 26 de janeiro de 1946 foi comunicada a aquisição de um imóvel, onde seria erguida a tão sonhada sede.

 

Também não podemos deixar de citar a luta pelos problemas do transporte. Os moradores do bairro não dispunham de meios para se locomoverem do bairro até o centro.  Normalmente iam a pé ao ponto onde se localizava a igreja Santa Terezinha do Bosque da Saúde, e aí tomavam o bonde, que os levava até o largo Santa Generosa. Até o centro tinham que apanhar outra condução ainda.

 

O Transporte foi um problema seríssimo, sem solução fácil encontrada, levando grande tempo para que se encontrassem meios para solução favorável.

 

Uma das primeiras soluções foi a aquisição, por meio da Cia. de Terrenos da saúde, de cinco ônibus da marca "Studebaker", estabelecendo-se uma linha com ponto inicial no Jardim e final na Praça da Árvore. Depois de funcionar alguns meses veio à falência, e o antigo problema volta à tona.

 

Em época eleitoral forte foi a pressão feita sobre a C.M.T.C, que finalmente instalou uma linha de ônibus no bairro, cujo ponto final era no Largo Guanabara.

 

Em dezessete de abril de 1.948 a SAJS inaugura uma nova sede, na Rua Francisco Dias, 289 e é instalado no bairro o posto policial.

 

Algum tempo depois a Prefeitura criou as Administrações Regionais, que passaram a acompanhar mais de perto a evolução e os problemas de um bairro, e assim tendo a possibilidade de apresentar as oportunas soluções,sob o critério de departamentos especializados da Municipalidade, e desenvolvendo mais permanentemente, junto aos moradores, uma atuação mais viva.

 

Desse modo, contamos no bairro com duas Regionais muito atuantes, a da Vila Mariana, dirigida por José Rubens Macedo, e a do Ipiranga, sob a orientação de Raphael M. Lomonaco.  

 

Outro grande anseio dos moradores do Jardim da saúde foi a existência de uma igreja católica nas proximidades, pois tinham que ir até a Igreja Santa Terezinha do Bosque da saúde para terem seus encargos católicos cumpridos.

 

Atendendo não apenas aos reclamos dos moradores, mas o particular apelo feito nesse sentido por D. Paulo Rolim Loureiro, o superintendente da Cia. de Terrenos da Saúde, Paulo de Almeida Barbosa e Diogo de Toledo Lara doaram à Curia Metropolitana de São Paulo uma área de cerca de 1.440 metros quadrados, correspondente a três lotes.

 

O terreno fora conseguido, restando ainda a construção. Reuniram-se alguns moradores e resolveram tomar uma providência custeando as obras primeiras da igreja, e que foi terminada em 1957 por Frei Miguel Lanzani, considerado seu fundador.

 

Enquanto não se concluíram as obras da igreja, a que deu um grande impulso, Frei Miguel Lanzani oficiava missas e outros misteres da fé em uma casa (na garagem), situada na Rua Quisiana, onde passara a residir com os padres dominicanos auxiliares.

 

Não só terminou as obras do templo, mas fundou a Sociedade Beneficente Sagrada Família, e adquiriu mais oito ou dez lotes para realizar outras obras que se faziam necessárias, entre as quais o prédio residencial dos padres.  

 

Breve porém foi a presença do Frei Miguel no bairro.

 

Para se locomover o Frei utilizava uma lambreta,e foi deste modo que tombou sob as rodas de um ônibus, que o esmagaram. A notícia de sua morte em 1961 enlutou todo o bairro.  

 

Foi nomeado para dirigir os trabalhos e nos destinos da Igreja Sagrada Família o dominicano Frei Celso Pereira, que deu à paróquia sua colaboração efetiva e marcante, assistindo a comunidade naquilo que ela carecia.

 

Após um profícuo período de muita atividade Frei Celso Pereira afastou-se da capital, e foi nomeado então seu sucessor, Frei Humberto Pereira, que também não permaneceu muito tempo neste posto.

 

Subiu então ao referido posto o dominicano Frei Marcos de Camargo, que era pároco na Igreja de São Judas Tadeu. Por sua facilidade de penetração em quase todos os ambientes, tornou-se uma figura muito conhecida e popular.

 

A Igreja Sagrada Família tem destaque por realizar obras sociais de grande relevância dentro do bairro.

 

O bairro do Jardim da Saúde torna-se muito procurado, primeiramente por sua localização, e depois pelo fator beleza. Ademais, depois de seu desenvolvimento, o qual expusemos até então, passa a ter de tudo e para todos em matéria de escolas, comércio,transportes etc. 

 

Uma peculiaridade muito interessante do bairro passa a ser a grande presença de japoneses.

 

Outros destaques na história do bairro são:

 

a) Parque Infantil: fundado na metade da década de 50, o Jardim da Saúde possui um belíssimo Parque Infantil, em uma área aproximada de 9.000 metros quadrados, situando-se na Praça João Rodrigues;

 

b) Centro Tuiucuê (escoteiros): 

 

No dia 1º de maio de 1954, um grupo de garotos do bairro procuraram Avelino Ribeiro, ex-diretor em várias gestões da SAJS, solicitando-lhe a ajuda para organização de um quadro de futebol.

 

Avelino Ribeiro ajudou os garotos naquilo que desejavam. E empolgado com a confiança dos garotos, deu-lhes ainda outra dádiva: um núcleo de escoteiros, onde a garotada iria, desde o início, ter uma noção de responsabilidade, de valor, e em contato com a natureza. O Centro de Escoteiros Tuiucue foi prontamente reconhecido pela U.E.B (União dos Escoteiros do Brasil), tendo à frente o chefe Avelino.

 

A sede provisória do Tuiucue era a garagem do chefe Avelino, no entanto o número de garotos aumentava, exigindo-se um local maior. A SAJS defere um pedido do grupo  e abre as portas de sua sede para que as reuniões dos escoteiros passem a ser realizadas ali. Quanto aos trabalhos de campo, realizavam-nos na segunda gleba do Jardim da saúde de propriedade da Geral Sociedade de Terrenos do Jardim da Saúde.

 

Muita luta houve para a aquisição de uma sede própria para o grupo de escoteiros.

 

Enquanto a solução não vinha, foi cedido a título de empréstimo o uso das dependências do Parque Infantil do bairro, que estava abandonado.

 

O comportamento do grupo de escoteiros foi tão notável que a Prefeitura convenceu-se de que ali estavam excelentes guardiões de seu patrimônio, pois além de afastarem os maus elementos, mantinham tudo na mais perfeita ordem, com as dependências no maior asseio, em condições de serem usadas a qualquer momento.

 

Em novembro de 1958, conforme consta no livro da Tropa, os escoteiros trabalharam para adquirir tijolos, para construção da sede, a qual a Prefeitura finalmente iniciou.

 

c) Jardim da Saúde em Revista: 

 

Um outro fato muito expressivo e que demonstra pujança do Jardim da Saúde, a sua ânsia de progresso, é a presença de um jornal que o representou na comunidade de bairros de nossa cidade. Nasceu da idéia de Jairo Rogero e teve circulação de seu primeiro número em outubro de 1968.

 

O jornal é distribuído gratuitamente entre os bairros: Jardim da Saúde, Vila Moraes, Vila Brasilina, Parque Bristol, Bosque da Saúde, Jardim Previdência, Praça da Árvore, Vila Mariana. Jabaquara, Vila Gumercindo, Alto do Ipiranga e Sacomã.

 

d) Biblioteca Municipal: localizada na Praça João Rodrigues, nas proximidades do Parque Infantil, dando-se inclusive a impressão que as duas construções são um prolongamento.

 

 

Baseado no livro de Alcina Ferreira Jorge, O Bairro do Jardim da Saúde. História dos bairros de São Paulo. Prefeitura Municipal- Secretaria de Educação e Cultura- Departamento de Cultura. 1970. 73p.

Para citação bibliográfica:

MARTINS, Renata de Freitas. 2002. História do Bairro do Jardim da Saúde/SP. www.amjs.org.br. 2003.

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