QUEM SOU
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Vivissecção autorizada na cidade de São Paulo Renata
de Freitas Martins Advogada
ambientalista e consultora ao Terceiro Setor, colaboradora do
Programa Ambiental: A Última Arca de Noé (www.aultimaarcadenoe.com),
consultora de diversas ONGs de proteção animal. Foi com muita
tristeza que hoje (24.06.03) soubemos que o senhor Secretário da
Saúde do Município de São Paulo, Gonzalo Vecina Neto, ordenou
à diretoria do Centro de Controle de Zoonoses que voltasse a
entregar animais para as instituições de pesquisa, ou seja,
vivissecção autorizada na cidade! A prática de
vivissecção tem sido hodiernamente uma das formas mais usuais de
maus-tratos aos animais, e para que possamos abordar esse tema, é
de suma importância que saibamos a definição desse termo. Vivissecção
é o uso de seres vivos, principalmente animais, para o estudo dos
processos da vida e de doenças, na prática experimental e didática,
e todo tipo de manipulação sofrida pelos seres-vivos, havendo
violações corporais de todos os tipos nos animais. Algumas das
práticas mais usuais têm sido: - Draize Eye Irritancy
Test:
shampoos, pesticidas, herbicidas, produtos de limpeza e da indústria
química são testados em olhos de coelhos conscientes; - LD 50, dose letal em
50%:
administrar nos animais uma dose de certos produtos tais como
pesticidas, cosméticos, drogas, produtos de limpeza, para
verificar a toxidade; - Testes de toxidade
alcóolica e tabaco:
animais são obrigados a inalar fumaça e se embriagar, para que
depois sejam dissecados; - Experimentos na área
da psicologia:
estudo comportamental, incluindo privação da proteção materna
e privação social na inflicção de dor, para observação do
medo; no uso de estímulos aversivos, com choques elétricos para
aprendizagem; e na indução dos animais a estados psicológicos
estressantes; - Experimentos
armamentistas:
os animais são submetidos a radiações de armas químicas e biológicas,
assim como a descargas de armas tradicionais. São expostos,
ainda, a gases e são baleados na cabeça, para estudo da
velocidade dos mísseis; - Pesquisas dentárias:
os animais são forçados a manter dieta nociva com açúcares, e
hábitos alimentares errôneos para, ao final, adquirirem cáries
e terem gengivas descoladas e a arcada dentária removida; - Teste de colisão:
animais são lançados contra paredes de concreto. Babuínos fêmeas
grávidas e outros animais são arrebentados e mortos nesta prática; - Dissecação:
animais são dissecados vivos nas universidades; - Práticas médico-cirúrgicas:
milhões de animais são submetidos a cirurgias nas faculdades de
medicina. Todos
esses testes são realizados com a finalidade de prever danos
futuros causados pelos produtos ou práticas a serem utilizados/
realizadas pelos seres humanos, usando-se os animais como cobaias
dos experimentos. A prática
vivisseccionista vem ocorrendo de forma desenfreada, trazendo maus
tratos aos animais, pois muitas vezes animais sadios são usados
vivos nas experiências e práticas e depois são simplesmente
mortos. A Constituição
Federal brasileira em seu artigo 225, § 1º, VII, diz que incumbe
ao Poder Público proteger a fauna, vedadas na forma da lei as práticas
que submetam os animais a crueldade. Além disso a
Lei de Crimes Ambientais (Lei n. º 9.605/98), artigo 32, § 1º
discorre que incorrerá na pena de detenção de três meses a um
ano e multa aquele que realizar experiência dolorosa ou cruel em
animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos,
quando existirem recursos alternativos. E caso incorra em morte do
animal a pena será aumentada de um sexto a um terço. E como muito
bem exposto pelo Instituto Internacional de Biologia de Paris e
pela Liga Internacional dos Direitos dos Animais de Gênova na
Declaração sobre a Ética Experimental, todos os seres vivos
nascem iguais. A desigualdade entre as espécies ou espécimes,
entre as raças ou racismo constituem crimes contra a vida. O
homem de ciência deve dedicar-se ao respeito pela vida humana ou
não humana e que a tecnologia substitutiva é a única compatível
com os direitos do ser vivo. O filósofo Jeremy Bentham já questionava a utilização de animais em pesquisas desde 1789: “
A questão não é podem eles raciocinar?
Ou então,
podem eles falar?
Mas, podem
eles sofrer?” Vários métodos
alternativos já foram desenvolvidos e comprovadamente têm maior
eficiência, já que os avanços tecnológicos vêm ocorrendo de
forma surpreendente, contribuindo para o desenvolvimento de métodos
de ensino e para o pensamento ético. Os métodos mais conhecidos
são: cultura celular e tissular; utilização combinada de
testes; pesquisa clínica e epidemiológica; técnicas de imagens
não invasivas; teste AMES; placenta; farmacologia quanta; Eyetex;
cromotografia e espestroscopia; corrositex; autopsias e estudos post
mortem; estudos microbiológicos; audio-visual; ADM (Agarose
Diffusions Method); kits diversos; modelos e simuladores; filmes e
vídeos interativos; simulação e realidade virtual;
auto-experimentação; estudos observacionistas; experiências in
vitro etc. Assim, a prática
de vivissecção desenfreada e que traga maus-tratos aos animais
deverá ser denunciada e as medidas legais cabíveis deverão ser
tomadas, pois a justificação da vivissecção por sua
imprescindibilidade científica não deve ser acolhida, tendo-se
em vista que a prática é muitas vezes utilizada pelo comodismo e
menores custos. Ressalte-se aliás, que como exposto por Rosely Bastos, fundadora-presidente da FBAV (Frente Brasileira para Abolição da Vivissecção), a experimentação animal é uma fraude médica científica, pois é impossível “re-criar” uma doença adquirida naturalmente por um animal, simplesmente porque desde que seja “re-criada”, não é mais a doença original. O resultado do estudo em animais artificialmente doentes é o de uma informação não aplicável aos seres humanos e, sendo assim, tragicamente enganador. É
um absurdo autorizar-se a vivissecção em épocas que nossa
moderna legislação ambiental e a tecnologia vêm evoluindo
constantemente, falando-se inclusive e com veemência em métodos
alternativos para o estudo científico, o que com certeza é muito
mais ético e sem dúvidas mais eficaz. Toda
a proteção animal está de luto pela política anti-ambiental e
anti-ética autorizada nesta gestão municipal. Texto
escrito para o Conjecturas
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