QUEM SOU
|
Cidadania e Voluntariado Renata
de Freitas Martins Advogada ambientalista, idealizadora do projeto "Cidadania em Foco" e participante de diversas atividades voluntárias. Estamos chegando ao final de 2001, ano em que a Organização das Nações Unidas comemorou o Ano Internacional do Voluntário, e não há momento mais oportuno do que este para tecermos alguns comentários e realizarmos um balanço de todos os acontecimentos deste ano.
Parece-me que o título de “Ano Internacional do Voluntário”
foi um grande incentivo para que muitos passassem a pensar em
trabalho voluntário neste ano. Mas será que não se tratou
apenas de mais um modismo passageiro? E será que a boa vontade
consciente prevaleceu?
Essas são questões que somente poderão ser respondidas
daqui alguns anos, pois os resultados de trabalhos voluntários sérios
e eficientes são obtidos apenas com muito esforço, dedicação e
trabalhos em longo prazo, com acompanhamento contínuo e habitual.
Nada adianta termos doado algumas horas de nosso ano de
2001 para o voluntariado, e simplesmente cessarmos toda e qualquer
atividade nos anos vindouros, ou simplesmente continuarmos em
alguma atividade por um sentimento de culpa ou obrigação.
Todas essas afirmações são feitas, aliás, com base em
nossa definição de voluntariado, a qual externamos a seguir: “Voluntariado
é uma das formas de participar positiva e ativamente na
sociedade, oferecendo de forma desinteressada o tempo e a
disponibilidade para ajudar os outros, ou simplesmente para reforçar
a defesa de causas nobres”. O
verdadeiro voluntariado, o chamado voluntariado de resultado, é
aquele que é feito por cidadãos que realmente compreendem o que
é a cidadania, que sabem praticá-la e que são espontâneos e
idealistas.
Neste rol, destacamos o trabalho de Organizações não
governamentais, associações e grupos de pessoas unidas por
determinados ideais, o chamado terceiro setor, que vem se
fortalecendo cada vez mais, e muitos, apesar das enormes
dificuldades enfrentadas para manutenção e ação, possuem
trabalhos excepcionais, com resultados imensuráveis.
Essas ações e resultados que seriam a priori obrigações
do Estado, que em sua incompetência governamental não tem ao
menos noção da extensão dos problemas sociais, acabam sendo
abraçadas cada vez mais pelo terceiro setor.
Aliás, não há quem conheça mais a demanda de
determinado local e população, seus problemas e eventuais soluções,
do que quem está inserido nesta realidade, aquele que realmente
participa da prática e do dia-a-dia.
Por este motivo ressalta-se a importância crescente da
participação de todos nós no voluntariado, como contribuição
ao desenvolvimento benéfico de nossa sociedade, ambiente do qual
todos somos e fazemos parte.
É de suma importância que o trabalho do terceiro setor
continue e se fortaleça; que aqueles que se envolveram com o
“Ano Internacional do Voluntariado” se engajem e unam forças
com o terceiro setor; e que aqueles que apenas pelo modismo
passageiro fizeram algo este ano, que ao menos se tornem cidadãos
mais conscientes e exerçam alguns pequenos atos individuais, mas
que se realizados por muitos, grandes resultados trarão.
Não condeno aqueles que pela “falta de tempo” nada
fazem pela contribuição social, já que nossa sociedade
capitalista exige um individualismo cada vez mais exacerbado na
luta pela sobrevivência no asfalto, mas com certeza um pequeno
ato ou gesto de vez em quando não prejudica ninguém. Que tal dar
um bom dia à ascensorista, um sorriso para aquela garotinha com
um lindo brilho nos olhos sentada na escadaria da catedral da Sé
ou um pote de água para aquele cão abandonado na praça?
A educação, o carinho, amor e consciência global também
fazem parte do exercício da cidadania, e se praticados, começam
a fazer um mundo melhor, tão buscado por todos nós.
Achei que após quase um ano de trabalhos no Núcleo de
Direito e Cidadania deveria expor algumas de minhas reflexões,
trazidas de trabalhos voluntários anteriores e fortalecidas ainda
mais com nossos trabalhos esse ano.
Foi um enorme prazer poder participar de um seleto grupo
formado em nossa faculdade, com idéias e objetivos tão nobres.
Gostaria de parabenizar todos aqueles que estiveram
envolvidos de uma forma ou de outra na realização das
atividades, e espero que o sucesso desse ano seja um incentivo
para que o trabalho continue, e também que aqueles objetivos que
não conseguimos alcançar sejam um desafio para que calquemos
nosso trabalho em bases cada vez mais sólidas e nos esforcemos
para suplantarmos todas as dificuldades.
Sinto muito que nem todos os participantes tenham nos
acompanhado até o final, mas espero que algo de positivo tenham
conseguido levar consigo. Voltamos aqui àquele papo de pequenas
atitudes individuais!
Em contrapartida, fiquei muito feliz com a aproximação de
alunos que se uniram a nós e ajudaram muito, principalmente
aqueles alunos que estavam interessados em cidadania e trabalhos
voluntários, sem fazer questão de horas estágio ou CAAC. Com
certeza eles serão nossos sucessores no núcleo, e tenho certeza
que continuarão com os trabalhos, bem como aperfeiçoarão o que
já foi feito com muita competência.
Ao professor Francisco, que esteve coordenando o Núcleo
durante todo o ano, também estendo meus elogios, não apenas pela
pessoa maravilhosa que foi com todos nós, mas também pela força
de vontade e luta pela disseminação da cidadania em nossa
faculdade.
Termino aqui externando que muito aprendi com o núcleo.
Aprendi um pouquinho mais sobre cidadania, atitude, solidariedade
e amor, sentimento tão nobre e cada vez mais escasso em nossa
sociedade impessoal. Como costumo dizer sou uma eterna apaixonada
por tudo que faço e por todos que tenham ideais nobres, e assim
continuarei sendo, indubitavelmente!
Bem, acho que era apenas isso que eu tinha para
falar!!!!
Acho que ninguém mais deve estar agüentando ler tudo
isso...
Mas para os que conseguiram chegar até aqui, desejo ótimas
festas, com muito carinho e fraternidade. AbraçosRenata
de Freitas Martins
MARTINS, Renata de Freitas. Cidadania e Voluntariado. www.nucleodireitocidadania.hpg.com.br . 2001. |
|
Copyright © 2001/ 2004 Renata de Freitas Martins Todos os direitos reservados |